Programação abordou biodiversidade, unidades de conservação, fauna silvestre, corredores ecológicos e preservação ambiental em Nova Friburgo
A Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Nova Friburgo (ACIANF), por meio da Câmara Técnica de Clima, Meio Ambiente e Lixo Zero, realizou o evento “Mata Atlântica em Debate” no dia 27 de maio, reunindo pesquisadores, gestores ambientais, representantes do poder público e iniciativas ligadas à conservação para discutir diferentes aspectos relacionados à fauna, flora, preservação e proteção do bioma no território fluminense.
A programação começou com representantes da Secretaria Municipal de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que apresentaram informações relacionadas ao Plano Municipal da Mata Atlântica, corredores ecológicos e ao Plano Diretor do município. Participaram da apresentação Flávia Monteiro, Rafael Cariello e Marinna Lopes.
O coordenador da Câmara Técnica do Clima, Meio Ambiente e Lixo Zero, Fernando Cavalcante, falou sobre a importância de tratar a pauta de conservação da Mata Atlântica com grande urgência: “Com perto de 50% do território cobertos por fragmentos de Mata Atlântica, temos o privilégio e a responsabilidade de cuidar desse patrimônio de uma imensa biodiversidade e gerador de mananciais hídricos importantíssimo para Nova friburgo e para o estado do Rio de Janeiro”.
Ao longo da noite, as apresentações mostraram diferentes dimensões da conservação ambiental, desde a proteção territorial até a manutenção da biodiversidade e das relações ecológicas que sustentam a floresta.
A viveirista florestal Marina Figueira de Melo abriu a sequência de palestras discutindo a Mata Atlântica como um dos principais hotspots mundiais de biodiversidade e destacou que, apesar da relevância ecológica do bioma, ainda existem lacunas importantes de conhecimento sobre espécies, sementes, inventários e preservação. Ela apresentou o trabalho realizado com produção de mudas nativas e defendeu a ampliação do plantio de espécies locais, a conexão entre fragmentos florestais e a recuperação da diversidade vegetal como caminhos para fortalecer os ecossistemas.
O painel sobre unidades de conservação trouxe diferentes perspectivas sobre os desafios da proteção territorial em Nova Friburgo. Representando a APA Estadual dos Três Picos, Rominique de Oliveira Schimidt apresentou problemas relacionados à fiscalização e ao aumento do fluxo de visitantes em áreas naturais, destacando impactos causados pelo descarte irregular de resíduos, circulação inadequada de veículos, grupos numerosos e práticas turísticas sem regulamentação adequada.
Representando a APA Estadual de Macaé de Cima, Fabio Câmara apresentou o histórico de criação da unidade de conservação e as ações atualmente desenvolvidas na área, incluindo monitoramento territorial, combate a incêndios florestais, educação ambiental, manejo e recuperação de trilhas, resgate de fauna silvestre, reflorestamento e apoio a pesquisas científicas. Também destacou o papel desempenhado pelos guarda-parques na proteção contínua dessas áreas.
A discussão sobre biodiversidade continuou com a apresentação de Juran Santos, que exibiu registros da fauna presente em Nova Friburgo e região, incluindo espécies ameaçadas de extinção, além de abordar impactos provocados pela circulação inadequada de pessoas e animais domésticos em áreas de vida silvestre.
Na sequência, Bernardo Furrer apresentou a contribuição das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) para a conservação da Mata Atlântica e sua participação na ampliação das áreas protegidas da região.
Encerrando a programação, Gabor Faluhelyi, da Terra dos Magos, apresentou um panorama sobre abelhas nativas brasileiras, abordando sua importância para a polinização de espécies vegetais e culturas agrícolas presentes na região, além das possibilidades econômicas associadas à produção de mel, pólen e outros derivados.
Ao conectar temas como conservação territorial, recuperação ambiental, biodiversidade, proteção da fauna e serviços ecossistêmicos, o evento reuniu diferentes perspectivas sobre os desafios e oportunidades relacionados à preservação da Mata Atlântica em Nova Friburgo e região.
A preservação da Mata Atlântica vai além da conservação da biodiversidade. É dela que dependem recursos hídricos, equilíbrio climático, produção agrícola, qualidade do ar e diversos aspectos que impactam diretamente a vida nas cidades. Discutir sua conservação é também discutir o futuro da região e das próximas gerações.