Na noite de terça-feira, 31 de março, a Câmara Técnica de Comércio Exterior (COMEX) da ACIANF recebeu o renomado internacionalista e despachante aduaneiro Otávio Gomes Rodrigues, que entre outras atividades acumuladas ao longo de 38 anos de experiência é sócio fundador da Logimex Comércio Exterior, membro do Conselho de Administração da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), vice-presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindaerj), diretor da Federação Nacional dos Despachantes Aduaneiros (Feaduaneiros), e membro da Comissão de Comércio Exterior do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro (CRC/RJ).
O convite a uma das maiores autoridades brasileiras em comércio internacional integra o rol de ações propostas pela ACIANF voltadas a preparar seus associados para as oportunidades e os desafios decorrentes do Acordo de Parceria Estratégica Mercosul-União Europeia, assinado no dia 17 de janeiro de 2026, após 26 anos de longas negociações. Em essência, o acordo - cuja entrada em vigor provisória está prevista já para o próximo mês de maio - cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, e prevê a redução ou eliminação de tarifas para cerca de 95% dos produtos europeus e 91% dos sul-americanos.
Com o intuito de alcançar o maior efeito multiplicador possível, a palestra de Otávio Gomes Rodrigues foi direcionada especialmente a contadores, havendo também a presença de outros profissionais de atuação intermediária, como advogados tributaristas, tendo em vista que a capacitação de tais profissionais é fundamental para eliminar gargalos e conscientizar empresas clientes a respeito de novos e promissores mercados em potencial, bem como sobre a necessidade de preparação para a iminente chegada de novos e competitivos concorrentes em diversos setores.
Além de enfatizar a importância de que contadores e demais profissionais de atuação intermediária estreitem laços com a ACIANF num processo contínuo de capacitação, monitoramento de mercado e amparo a associados e à economia local, o encontro também serviu para relembrar a vocação histórica de Nova Friburgo à exportação, bem como para destacar setores da economia municipal de imediato potencial exportador ou que estejam mais sujeitos a concorrência externa no futuro próximo.
“O Brasil tem muito potencial não desenvolvido para o comércio exterior, e precisamos desenvolver esse potencial. Temos água, energia, luz, terras férteis, áreas, espaço. Temos todo o potencial para o comércio exterior, e isso não significa apenas exportar, mas também comprar máquinas, desenvolver as indústrias, deixá-las tecnologicamente avançadas, para que possamos produzir melhor e crescer mais”, sintetizou Otávio. “O aproveitamento desse potencial passa em grande parte pela capacitação dos contadores, não apenas para que orientem e estimulem clientes quanto ao comércio exterior, mas também para que atuem no sentido de desonerar compras e vendas, evitando custos desnecessários por falta de conhecimento”, concluiu.
“A vinda do Otávio é muito importante, muito simbólica e muito representativa institucionalmente”, avaliou Fabiana Kaiuca, secretária-geral da Comex. “Otávio é vice-presidente do Sindaerj, o Sindicato dos Despachantes Aduaneiros do Estado do Rio de Janeiro, e sua vinda aqui se deu para que possamos nos internacionalizar e abrir as portas do contador internacional para a nossa cidade. E por que o foco do encontro foi nos contadores? Porque através de um produto de contabilidade internacional, os contadores podem ter uma nova fonte de receita e se tornar a porta de entrada para a internacionalização das empresas. Uma vez que o contador tenha esse mindset de que o internacional é bom para ele também, quando ele for abrir uma empresa para seus clientes, quando ele der qualquer tipo de consultoria ou conversar sobre o planejamento estratégico de uma empresa, por exemplo, ele já poderá falar sobre a via internacional e plantar essa sementinha na cabeça do empresário, do empreendedor. E é claro que isso vai ser muito bom para o contador também, uma vez que ele próprio pode lucrar a mais fazendo essa contabilidade internacional. Então, a vinda do Otávio para cá abriu as portas para esse novo universo, e trouxe uma perspectiva muito maior, porque é trivial. Afinal, toda empresa precisa de um contador, exceto se for MEI.”
“É muito importante que a gente traga os temas de comércio exterior para a pauta estrutural das empresas”, continua Fabiana. “Assim, a gente não precisa falar de comércio exterior só depois que uma empresa já saturou o mercado nacional e quer ir para o mercado internacional. Pelo contrário, a gente pode ter planos de negócio nos quais a empresa possa já nascer internacional e aí a figura do contador entra de forma estratégica. A Comex tem essa atuação de interlocução e articulação, e essas são duas palavras muito importantes para uma câmara que está tentando trazer a cada dia um pouquinho de conversa sobre comércio exterior na vida das empresas”, concluiu.
Laços internacionais já em andamento
Sérgio Tadeu Miranda, coordenador da Comex, também enfatizou a importância da capacitação para lidar com o comércio exterior, sobretudo diante da iminente entrada em vigor do tratado entre Mercosul e União Europeia. “A visita do Otávio Gomes, que é consultor, despachante aduaneiro, empresário das áreas de comércio exterior e de logística internacional, nos brindou com uma palestra muito interessante, que teve como foco mostrar, principalmente para o pessoal envolvido diretamente nos processos, como contadores e afins, quais as perspectivas, os recursos e possibilidades que existem na área de comércio exterior. Além da palestra, no dia seguinte ele também participou do programa ZOOM Debates (https://www.youtube.com/watch?v=w30uGs0JCvE), onde tratou do tema de modo geral, e também do que pode e deve acontecer com o advento do acordo Mercosul-União Europeia.”
Sérgio também observou que esta é uma questão que em breve irá afetar a todos, uma vez que o acordo não abre portas em sentido único. “É importante ressaltar que não estamos apenas diante da possibilidade de abertura e facilitação de negócios de produtos brasileiros serem exportados para a Europa com tarifas provavelmente reduzidas, mas também de um possível fluxo de mercadorias da Europa para o Brasil. E as empresas brasileiras, de alguma forma, têm que estar preparadas para isso, porque ao mesmo tempo em que o acordo estimula a exportação, também reduz barreiras que eventualmente existam para importar produtos da Europa. O empresariado precisa estar ligado nisso. Este foi apenas o primeiro contato que tivemos, é provável que em breve voltemos a marcar outros eventos com Otávio, porque acreditamos que o tema seja importante sobre esses dois aspectos. É preciso compreender que comércio exterior é sempre uma via de mão dupla. E essa é a função precípua da nossa coordenação da câmara: divulgar, facilitar e mostrar caminhos para que as empresas e empresários se interessem e comecem efetivamente a operar no comércio exterior.”
Por fim, Sérgio aponta que muitas ações no âmbito da Comex já começam a frutificar. “No dia 25 de março nós tivemos a honra de receber a visita de Sua Alteza Real, o rei nigeriano Oba Hameed Adejoro Ajijola, da província de Lagos, que conta com 20 milhões de habitantes. Ele veio a Nova Friburgo através da Ascofri e da Colônia Pan-Africana, e nós fizemos um evento aqui na ACIANF, uma apresentação das atividades da COMEX. E ele ficou bastante interessado, tanto que nos enviou mensagem tão logo retornou à Nigéria, três ou quatro dias depois da visita, e já agendamos uma reunião à distância. A Câmara do Comércio Exterior entende que há um interesse comercial muito forte, que é fruto dessa apresentação que foi feita aqui, quando detalhamos a economia de Nova Friburgo e região, quais são as atividades básicas da economia, quais são os números. Acreditamos que o encontro propiciou um clima de grande interesse mútuo em estabelecer negócios, de tal modo que temos a expectativa de construir algum instrumento que nos associe ao governo dessa província através do rei Hameed, e esse é um desdobramento que seguiremos noticiando. É importante entender que este é um dos objetivos da Comex. Além de desmistificar o comércio exterior para nossa cidade e região, também buscamos estimular e eventualmente até promover negócios, e entendemos que em breve devemos ter novidades que podem envolver já interesses específicos de alguns segmentos de economia da nossa região, eventualmente até alguma coisa mais concreta, seja no sentido de disponibilizar visita técnica ou a ida nosso pessoal para lá. Enfim, estamos muito animados porque foi um retorno muito rápido. Essa é uma das nossas atribuições, e evidentemente esperamos manter contato semelhante com as outras colônias também. Nós temos 10 povos formadores, e temos de tentar avançar junto a esses povos da mesma forma como estamos fortalecendo conexões entre Nova Friburgo e o estado de Lagos, na Nigéria”, concluiu.