Firjan e ACIANF unem forças em favor da mobilidade urbana

Firjan e ACIANF unem forças em favor da mobilidade urbana

A ACIANF, representada por seu presidente, Roosevelt Concy, e pelo coordenador da Câmara de Mobilidade e Infraestrutura, Antônio Carlos Cordeiro, foi convidada a tomar parte da Reunião do Conselho Empresarial da Firjan Centro-Norte Fluminense ocorrida na tarde de quarta-feira, 1º de julho. A Prefeitura Municipal de Nova Friburgo também se fez presente, na pessoa do secretário municipal de Infraestrutura e Obras, Bernardo Verly, com vistas à promoção de um debate técnico e multilateral a respeito de questões centrais para a mobilidade urbana friburguense e regional.

A pauta dividiu-se em três tópicos principais: a recente e controversa renovação da concessão da RJ-116, a possibilidade de adoção de um sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Nova Friburgo, e também a necessidade e a viabilidade de uma Rodovia de Contorno que reduza o fluxo de veículos pesados no centro urbano friburguense.

Convidado pela presidente da Firjan Centro-Norte Fluminense, Márcia Carestiato, a integrar a mesa, Roosevelt manifestou-se de maneira concisa e direta a respeito dos três tópicos, não sem antes enfatizar a pertinência do envolvimento de instituições representativas no debate. “Nós representamos o setor produtivo, e o sucesso de nossas empresas está ligado ao sucesso das cidades. Não podemos, portanto, assistir os desafios das cidades apenas como espectadores, a busca por soluções não deve ficar restrita ao poder público. Podemos contribuir com diagnósticos, e devemos atuar em prol de uma visão de longo prazo, com viés estruturante e organizador. Mobilidade é um conceito amplo que também envolve desenvolvimento econômico, qualidade de vida e proteção ambiental, entre outros impactos”, justificou.

A seguir, o presidente da ACIANF lembrou que uma possível estrada do contorno para Nova Friburgo vem sendo cogitada desde 1955, e que é chegado o momento de avaliar essa possibilidade em seus pormenores, para que saia finalmente do papel ou seja descartada em definitivo. “O que não pode é permanecer mais tempo neste limbo, pois diariamente circulam entre 900 e 1200 veículos de grande porte por Nova Friburgo, e é preciso buscar soluções para este problema”, sintetizou. Quanto aos demais tópicos em pauta, Roosevelt lembrou que tanto a ACIANF quanto a Firjan envolveram-se ativamente, e com antecedência compatível, nos debates a respeito da concessão da rodovia RJ-116, diante da iminência do término do contrato. Ainda assim, um novo contrato renovando a concessão por mais 25 anos acabou sendo assinado sem a realização de audiências públicas e a devida participação da sociedade. Por fim, Roosevelt observou que há cidades até menores do que Nova Friburgo, com menos de 200 mil habitantes, que fazem uso do VLT, de tal modo que um estudo de viabilidade se justifica plenamente.

Janela de oportunidade

Para o encontro a Firjan disponibilizou a presença de Rafael Poubel, especialista em Estudos de Competitividade (Infraestrutura), com foco nos setores rodoviário, ferroviário, aquaviário e de mobilidade urbana. Dando início à sua apresentação, Rafael analisou detalhadamente o novo contrato de concessão da RJ-116, bem como o processo de sua elaboração que excluiu a participação da sociedade civil e culminou com a renovação por mais 25 anos sendo concluída no dia útil anterior à renúncia do governador.

Entre pontos positivos, como a possibilidade de desconto para usuários frequentes (DUF) e a previsão de revisões periódicas, e outros negativos, entre os quais a exclusão de pleitos históricos da região, como a própria participação da concessionária nos esforços pela estrada do contorno, Rafael destacou a previsão para que uma auditoria para verificação de vantajosidade seja contratada no prazo de seis meses - recorte que se esgota em setembro próximo. Conforme avaliação do especialista, é importante que órgãos representativos atuem conjuntamente no sentido de assegurar que tal auditoria seja efetivamente realizada, abrindo assim uma janela de diálogo que foi negligenciada no processo de renovação da concessão.

A esse respeito, o coordenador da Câmara de Infraestrutura e Logística na ACIANF, Antônio Carlos Cordeiro, que atua também como Diretor na Firjan, manifestou a importância de se gerar uma provocação formal e tecnicamente bem fundamentada que não apenas cobre a auditoria, mas também pavimente o caminho para o melhor aproveitamento da oportunidade de aprimoramento da concessão. Diante do exposto, todas as partes concordaram em unir forças para a elaboração da minuta de uma carta direcionada ao DER-RJ (Departamento de Estradas de Rodagem ) e à Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras Públicas (Seiop).

VLT: estudos de caso próximos ou análogos

Quanto ao debate em torno da importância de se verificar a viabilidade de um sistema de veículos leves sobre trilhos (VLT), Antônio Carlos apresentou um resumo do documentário produzido em parceria com a ZOOM, a partir de suas viagens, em outubro de 2025, às cidades de Wuppertal e Freiburg na Alemanha, e também ao Rio de Janeiro. Na primeira, o coordenador da Câmara de Infraestrutura e Logística conferiu o monotrilho suspenso que em muito se assemelha ao projeto defendido pelo ex-prefeito Heródoto Bento de Mello em sua vitoriosa campanha à Prefeitura de Nova Friburgo em 2008. Na segunda, o objetivo foi conferir o funcionamento do sistema de VLT numa cidade que não se assemelha a Nova Friburgo apenas no nome e em heranças culturais, mas também no próprio porte. Por fim, Antônio Carlos mostrou como os esforços de recuperação do Centro Histórico do Rio de Janeiro conseguiram a proeza de devolver parte da Avenida Rio Branco aos pedestres, através justamente da substituição do fluxo de carros pelo de composições capazes de transportar até 480 pessoas.

A tais exemplos, Rafael Poubel acrescentou o de Niterói, por representar, em sua avaliação, caminho inovador e possivelmente aplicável a Nova Friburgo. O especialista observou que desde 2017 a antiga capital do Estado trabalha pela instalação do VLT, e no decorrer dessas ações logrou estabelecer uma colaboração técnica e financeira com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) que ajudou decisivamente a estruturar os estudos de viabilidade para o sistema de transporte da cidade. Todas as partes presentes concordaram em trabalhar pela realização de uma reunião com envolvidos no projeto de Niterói no futuro próximo.

Ao fim do encontro, às deliberações já mencionadas os presentes acrescentaram o compromisso de dar continuidade regular às reuniões, abraçando em conjunto a busca por informações, parcerias e oportunidades de diálogo que possam apontar viabilidades, inviabilidades, oportunidades e condicionantes, dando o devido amparo informativo e participativo às tomadas de decisões.