Empreendedorismo feminino ganha força em Nova Friburgo e impulsiona desenvolvimento local

Empreendedorismo feminino ganha força em Nova Friburgo e impulsiona desenvolvimento local

Em todo o Brasil, o empreendedorismo feminino tem cada vez mais se consolidado como um dos principais motores de transformação econômica e social. Em cidades com forte vocação empreendedora, como historicamente é o caso de Nova Friburgo, o protagonismo das mulheres nos negócios cresce ano após ano, contribuindo para geração de renda, inovação e desenvolvimento regional.

Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontam que o país possui cerca de 30 milhões de empreendedores, dentre os quais mais de 10 milhões são mulheres, representando aproximadamente 34% do total de donos de negócios no Brasil. ([Sebrae RN][1])

E se em números absolutos a conjuntura atual já expressa a crescente participação feminina, é em indicadores específicos, que antecipam tendências e apontam o que o futuro reserva para o curto prazo, que o cenário se revela verdadeiramente animador. Basta observar, por exemplo, que as mulheres já representam 46,8% dos empreendedores iniciais, índice que demonstra o avanço da presença feminina na criação de novos negócios e iniciativas inovadoras. ([SEGS][2])

Crescimento com desafios estruturais

Em que pese o crescimento expressivo, especialistas apontam que o empreendedorismo feminino ainda enfrenta barreiras importantes. Entre as principais dificuldades relatadas estão o acesso ao crédito, a sobrecarga das responsabilidades familiares e o preconceito de gênero no ambiente empresarial.

Levantamentos do Sebrae indicam que 45% das mulheres empreendedoras já sofreram ou conhecem alguém que sofreu preconceito de gênero nos negócios, enquanto apenas 25% dos recursos financeiros destinados a pequenos negócios chegam a empresas lideradas por mulheres. ([Serviços e Informações do Brasil][3])

Outro desafio frequente é a conciliação entre empresa e família. Pesquisas mostram que 76% das mulheres relatam sobrecarga ao tentar equilibrar a gestão do negócio com as responsabilidades domésticas, realidade que muitas vezes limita o crescimento de suas empresas. ([Sebrae][4])

Parece dizer muito sobre o comprometimento feminino que mesmo diante dessas e de outras dificuldades, as empreendedoras continuem a apresentar indicadores positivos. Em média, elas *possuem maior nível de escolaridade que os homens e são mais propensas a utilizar ferramentas digitais e redes sociais para vender produtos e serviços*, o que amplia oportunidades de crescimento e inovação. ([SEGS][2])

Realidade local: o protagonismo feminino em Nova Friburgo

Conhecida nacionalmente por sua força industrial, especialmente nos setores de moda íntima, comércio e serviços, Nova Friburgo também se destaca pelo crescimento da participação feminina na economia local.

De fato, cada vez mais mulheres estão à frente de pequenas e médias empresas, startups, negócios digitais, iniciativas culturais e empreendimentos ligados à economia criativa. Muitas delas iniciam suas empresas a partir de experiências pessoais, necessidades do mercado ou da busca por independência financeira.

Esse movimento tem fortalecido redes de colaboração, mentorias e programas de capacitação voltados para o desenvolvimento de lideranças femininas.

A importância de espaços institucionais para mulheres

Nesse contexto, iniciativas organizadas ganham papel estratégico para impulsionar o empreendedorismo feminino. Tendo isso em vista, a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) concebeu o Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC) como um modelo a ser adotado, em caráter facultativo, por associações comerciais espalhadas por todo o território nacional.

Em conformidade com sua postura histórica vanguardista, já em 2023 a ACIANF criou o CMEC/Nova Friburgo, com o intuito de institucionalizar a representatividade feminina no recorte empreendedor, num momento em que o Estado do Rio de Janeiro ainda não contabilizava nem ao menos três CMECs.

“A presença de um conselho feminino dentro de uma entidade empresarial histórica com mais de 100 anos de atuação e que cobre todos os elos da cadeia produtiva representa um marco importante para ampliar a participação das mulheres nas decisões e nos espaços de liderança econômica, uma vez que ele tem como missão estimular o empreendedorismo, fortalecer redes de apoio, promover capacitação e ampliar a presença feminina no ambiente empresarial e institucional”, avalia Fabiana Kaiuca, presidente do CMEC/Nova Friburgo.

Impacto e mobilização

A atuação do conselho tem buscado criar oportunidades de crescimento para empreendedoras locais por meio de iniciativas como:

- eventos de networking e integração empresarial

- programas de capacitação e desenvolvimento de lideranças femininas

- incentivo à inovação e ao empreendedorismo

- fortalecimento de redes de apoio entre empresárias

- valorização do protagonismo feminino na economia local

 - ações de representatividade, incluindo articulação política e institucional em prol dos interesses de associados, nas esferas municipal, estadual e federal

Mais do que meramente incentivar a abertura de empresas, o objetivo é construir um ambiente mais inclusivo para que mulheres possam crescer, liderar e gerar impacto econômico e social.

Um movimento que transforma a economia

O fortalecimento do empreendedorismo feminino representa não apenas uma pauta de equidade, mas também uma estratégia de desenvolvimento econômico. Com efeito, estudos indicam que empresas lideradas por mulheres *geram emprego, ampliam a diversidade nas decisões empresariais e contribuem para modelos de negócios mais colaborativos e sustentáveis*.

Em cidades empreendedoras, como Nova Friburgo, iniciativas como o CMEC mostram que quando as mulheres têm espaço, capacitação e representatividade, toda a economia local se fortalece.